Remando nas pedras

© Luanda M.S. Cabral
Meu deserto é em mim mesma. Nele não vejo natureza. Sinto o calor queimando como pensamentos sujos, os quais eu não pertenço. Não eu não me entrego mais. Vontades vem e vão. Na luta intensa entre a carne e o espírito. Quem poderá dizer o certo ou o errado? Quem poderá apontar-me o dedo. Frente a minha face, cale-te boca, não entres em desespero. Aquietas tua alma, pobre menina de vestes imundas. Aceita-me como tu és, e caminhe para frente e não para trás. Me pego remando, remando em pedras. Neste barco não há velas e nem veleiro, não há ninguém na proa, somente eu e meu desespero. Um profundo amárgo de mim mesma. Eu, mim e eu mesma. Meus devaneios e realidades. Se saio de dentro dele, penso que algo me consumirá... O que será? Se eu te julgo o veleiro, mestre dos mares o dono da vida. Se assim eu o sinto e eu o vejo, venha até mim e me tome por tua. Não deixes com que os meus maus pensamentos me afastem de ti. É um pequeno clamor, escutas? Alguém pode me ouvir? Remando em pedras, remando em pedras. Não irei a lugar algum, dali por enquanto não sairei. Tremo em frio do ar gélido que há em mim.

(Luanda Melo dos Santos)

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